Carta aberta ao Primeiro-Ministro António Costa

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PELA JUSTIÇA SOCIAL DOS LADRÕES PROFISSIONAIS

 

O meu nome é António de Vide e sou o secretário-geral da Associação Portuguesa dos Ladrões Profissionais.

Venho através deste meio reivindicar mais direitos para o setor em questão, que ao longo dos anos tem vindo a sofrer imenso com a austeridade imposta por Bruxelas. O emagrecimento dos bolsos dos portugueses significa um tremendo abalo para a nossa profissão. E agora que vemos que o seu governo está a distribuir a “chapa ganha”, também nós queremos ter acesso à nossa quota parte.

A nossa atividade será, porventura, uma das mais perigosas. Quando as coisas correm mal no decorrer da nossa profissão, os danos podem chegar mesmo por ir parar à choldra. É por este motivo que exijo que sejam desenvolvidos planos de proteção adequados ao ofício da ladroagem.

Primeiro, parece lógico exigir um seguro bem estruturado de saúde, contra todos os riscos, e de acidentes de trabalho. Queremos a nossa atividade segurada, queremos sentir-nos protegidos enquanto praticamos os mais variados delitos. Não queremos trabalhar com medo. Numa sociedade que se diz democrática e igualitária é inadmissível que os nossos direitos laborais não estejam assegurados da mesma forma que os outros ofícios.

Não nos interessa se privatizam ou não a nossa atividade. Na nossa opinião, nós, ladrões, temos uma função pública muito mais pertinente que alguns funcionários do Estado. Assim sendo, se as nossas exigências não forem tidas em consideração avançaremos para uma greve nunca antes vista! E se o Sr. Primeiro-Ministro achar esta ameaça inócua, deixe-me então explicar-lhe como está tremendamente enganado.

Se o nosso setor cessar atividade, inúmeros serviços públicos serão afetados. De um modo geral, as Forças de Segurança Nacional deixam de ser necessárias. Com a diminuição brusca do furto, do roubo, ou da burla, o sistema judicial também vai sentir um enorme abalo no seu volume de trabalhos. E que fazer a todos os advogados criminais, psicólogos forenses, serviços de ação social, e a todo um sistema prisional que serve de sustento a tanta boa gente? Dadas as consequências citadas, tudo isto pode levar a um entorpecimento grave do sistema social tal como ele existe hoje.

Não descure os ladrões, Sr. Primeiro-Ministro. É incompreensível como continuamos a viver nestas condições, onde uns são mais do que outros independentemente da sua importância. E acrescento que esta injustiça é ainda mais inclassificável quando vivemos num período em que a esquerda está no poder. E ainda falam de justiça social?

Vamos ficar atentos à intervenção de sua excelência sobre este tema.

Respeitosas saudações,

António de Vide, APLP

 

texto retirado de A Teia nº4 – Tesão Nuclear

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