A Distopia dos Smartphones

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Nos campos de treino de Silicon Valley a tecnologia continua a ser aperfeiçoada para servir o esplêndido mundo do virtual. Entre as academias de combate mais sofisticadas contam-se os gigantes da Google, Facebook, e Twitter; verdadeiros titãs nas denominadas artes marciais mistas que têm produzido alguns dos smartphones mais brutais.

A estratégia de combate destas academias centra-se na alienação total da tomada de decisão dos seus adversários – a saber, os seres humanos. Para cumprir o seu objetivo, estas escolas aliam as artes do design persuasivo às engenharias informáticas. O seu repertório marcial fica completo com as infalíveis “técnicas de submissão” oriundas da psicologia comportamental e cognitiva.

Relativamente aos combates, os resultados têm sido impressionantes: os indivíduos olham ou tocam para o seu smartphone uma média de 2,617 vezes por dia, e passam cerca de 3 horas diárias com os olhos colados no ecrã. Em linguagem desportiva, é o equivalente a dizer que o cartel dos smartphones conta com 50 vitórias, 47 por KO, 0 derrotas, e 0 empates.

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Os planos de combate destas tecnologias baseiam-se no modo como captam a atenção dos indivíduos. As suas técnicas de persuasão têm como objetivo a submissão da nossa atenção a um estado de vício e vulnerabilidade que encontra conforto nas eternas cronologias, atualizações, notificações, jogos, likes, seguidores, etc. Tudo nelas está otimizado para criar um estado de dependência que anula a possibilidade de qualquer contra-ataque. Encostados às cordas, os seres humanos têm sido impotentes a defenderem-se dos jabs e ganchos infligidos por punhos com polegares levantados – comummente conhecidos como likes. 

Dada a violência dos embates, o número de concussões nos seres humanos tem aumentado de forma preocupante. Os danos neurológicos manifestam-se através de ansiedades, comportamentos de dependência, sensações de frustração e impaciência.

A estratégia humana que se tem mostrado mais eficaz é a de resistir: resistir à persuasão e à distração proporcionada pelos movimentos elusivos dos smartphones com as suas aplicações e redes sociais embutidas.

Assiste-se ainda a uma escalada de violência com o atual refinamento da Inteligência Artificial. Se pequenos smartphones nos têm roubado o cérebro, teme-se que grandes robôs nos procurem roubar o corpo.

 

texto retirado de A Teia nº3 – Natal Escaldante

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